sexta-feira, março 11, 2005

Falta 1 dia

É já amanhã que embarco em direcção ao Brasil.
Pipa, Porto Galinhas, Maceió e Natal.
15 dias para aproveitar em grande.

Parece que vou ter de me ausentar desta regularidade que tem sido blogar mas prometo que quando voltar vou contar todos os dias que estive fora. Os passeios, as festas, as músicas, as danças, as praias. Vão ter muito para ler. E claro que vou incluir algumas fotos porque os bons momentos não se fazem só de palavras, também se fazem de imagens.
Vou ter saudades, mas sei que vai ser divertido.
Um até breve a todos e... Até ao meu regresso, mais morena espero!!!

Fugir

Fugimos da perfeição com medo de não sermos capazes de a usar.
Fugimos de discussões com medo de não as resolvermos.
Fugimos das relações com medo de se tornarem demasiado perfeitas.
Fugimos dos obstáculos com medo de eles se resolverem.
Fugimos das diferenças com medo de as ultrapassar.
Fugimos do equílibrio por ser demasiado perfeito.
Fugimos de nós com medo de nos enfrentarmos.

Estamos constantemente a fugir daquilo que seria o melhor para nós.
Quando será que se aprende?

quinta-feira, março 10, 2005

Falling Down

Esta música traz-me boas recordações. Com ela fiz algo que gostei bastante, que me deixou bem e hoje apetecia-me repetir, pena que o terei de fazer sozinha... É inevitável relacionar esse facto com esta música sempre que a ouvir.
De qualquer forma, é uma bela música e gosto bastante da letra.


Two times today I had to call you up to let you down

Don´t wanna let you down
Two times today I ran out of luck and I let you down
Don´t wanna let you down

Cause I fall down when you´re not around
Yeah I fall down when you´re not around

Two times today I messed up and let you down
Don´t wanna let you down
Thought I heard you say I nearly lost your lovecause I let you down
Don´t wanna let you down

Cause I fall down when you´re not around
Yeah I fall down when you´re not around

I fell down two times today
I fell down two times today
Yeah I fall down when you´re not around
Yeah I fall down when you´re not around

I feel I´m falling down, take a look at me can you see me fall
I´m falling down, can´t you see me falling down
Can´t you see me fall,
Can´t you see me falling down
Can´t you see me falling down

I feel I´m falling down
I feel I´m falling down
Take a look at me
I´m falling down please don´t let me fall.

(by Reamon)

quarta-feira, março 09, 2005

«The Incredibles»


Mais um filme de animação que termina a pedir continuidade.
Trata-se de uma família de heróis obrigada a viver anonimamente mas, no entanto, a vontade de salvar inocentes é sempre maior, sobretudo no coração do Mr. Incredible. O seu desejo de regressar à vida de herói acaba por conduzir toda a família numa aventura para destruir os inimigos, neste caso, um antigo fã rejeitado - Síndrome.
Não posso dizer que se tenha tornado num dos meus filmes de eleição mas foi uma forma de passar a tarde.

Bons Momentos

Aqui estão alguns dos bons momentos que passei
com o meu grupo de Dança, foram imensos, cada um melhor que o outro.
Era completamente impossível por aqui
uma fotografia de cada momento desses
por isso escolhi apenas alguns.
Sabe tão bem recordar!



Julho 1996, Argentona (Espanha) Posted by Hello


Maio 1997, Caldas da Rainha Posted by Hello


Expo 98 Posted by Hello


Abril 1999, Figueira da Foz Posted by Hello


Julho 1999, Gotemburgo (Suécia) Posted by Hello


Maio 2001, Parque das Nações Posted by Hello


Maio 2001, Almada Posted by Hello


Abril 2002, Almada Posted by Hello

terça-feira, março 08, 2005

Faltam 4 dias

Confesso que cada vez é mais difícil manter a concentração.
Falta tão pouco tempo para viajar.
Estou ansiosa por entrar de novo num avião, adoro decolar, é uma sensação incrível sempre que o faço e não me importo nada de repetir vezes sem conta. Manias... Mas a verdade é que esta viagem vai ser bem longa - sete horas - mas mesmo assim acho que não me farto.
E além disso vou gostar muito de ver a reacção das pessoas que vão comigo e que nunca andaram de avião. É sempre angustiante entrar pela primeira vez num "bicho" daqueles!

As Últimas Horas

Este trabalho foi realizado no âmbito da cadeira de Seminário de Escrita Criativa e Interactiva. O objectivo era dar seguimento à história de um colega.
Escolhi a história «Vidas Complicadas» que transcrevo em seguida para ser mais fácil a compreensão da continuação da narrativa.


Tudo começou em 1990, em Lisboa, quando Sérgio, com apenas 15 anos, sofreu o maior desgosto da sua vida: perdeu os seus pais num acidente de viação. Sérgio não queria acreditar no que estava a acontecer, de repente a sua vida desmoronou-se. Sendo menor e filho único coube ao seu avô ficar com a sua custódia. Como se não bastasse ter ficado sem os pais, Sérgio teve de deixar os seus amigos de Lisboa para ir morar com o avô em Bragança.

O seu avô, António Joaquim, de 68 anos, mal sabia o que o esperava quando aceitou tomar conta do seu neto. Sérgio, como já era de esperar, teve grandes dificuldades em esquecer a tragédia que se tinha abatido sobre si e em se adaptar à sua nova vida em Bragança.

Nunca se adaptou totalmente, no entanto, conseguiu fazer novos amigos, alguns até de boas famílias. Durante o seu primeiro ano em Bragança, matriculou-se numa escola perto de casa mas quando fez 16 anos decidiu deixar os estudos. Resolveu ir trabalhar para as obras, decisão essa que não agradou ao seu avô mas que teve um forte motivo: Sérgio queria juntar dinheiro para fugir de casa. Estava farto daquela vida sem graça. A única coisa de interessante que fazia era ir com os amigos a um bordel que havia na cidade. Embora o dinheiro que tivesse não fosse muito, nunca teve dificuldades em lá ir, afinal de contas, sempre aparentou ser mais velho e tinha amigos com posses.

A primeira vez que entrou naquele sítio ficou de boca aberta com todo aquele luxo: paredes e sofás vermelhos, pequenas mesas redondas de madeira, grandiosos lustres, um bar com paredes espelhadas recheado de bebidas e, é claro que as raparigas também não passavam despercebidas com o seu reduzido vestuário.

Naquela noite, a casa estava cheia como de costume. Estava Sérgio sentado num dos sofás quando se dirige a ele uma atraente rapariga, com os seus 25 anos, de cabelos louros e olhos verdes, chamada Shirley. Começaram a conversar até que a rapariga o convidou para subir. Escusado será dizer o que aconteceu num dos quartos do andar de cima. O que é certo é que, com o pouco dinheiro que ganhava, Sérgio lá conseguia ir, de vez em quando, encontrar-se com Shirley mas ela nunca conseguiu tê-lo por completo.

Shirley, ou melhor, Ruth Rita, com apenas 21 anos, decidiu levar aquela vida pois estava farta de arranjar unhas a clientes mal dispostas. Ser prostituta de luxo sempre dá mais dinheiro do que ser manicura. Como não conseguiu concretizar o sonho da sua vida, ser cantora, e por estar cansada de andar sempre a caminho de castings apenas para conseguir lugares de assistente em programas de televisão, Ruth decidiu-se pela profissão mais antiga do mundo.

O tempo foi passando, até que chegou o tão desejado dia para Sérgio: o dia em que fazia 18 anos. Farto da vida que levava, e cada vez mais certo do que queria, decidiu ir para Lisboa. Os primeiros tempos não foram nada fáceis. A única maneira que arranjou para ganhar dinheiro foi pondo um daqueles anúncios no jornal oferecendo a sua companhia. E não é que ganhou uma boa quantia! Grande parte do que juntava investia em fundos e na Bolsa. Era mais o que perdia do que aquele que ganhava.

Estes anos que passou nesta vida serviram para acentuar mais as dúvidas que tinha em relação à sua sexualidade. Aos 30 anos conseguiu assumir-se como homossexual. E foi nessa altura que viu em Carlos Almeida, cabeleireiro no Bairro Alto, a hipótese de ter uma vida melhor, mais digna.

Carlos, homossexual desde cedo, agora reformado e com 65 anos, descobriu, aos 25 anos, a aptidão para ser cabeleireiro. Os poucos cabelos que tinha estavam minuciosamente penteados com litros de brilhantina, sempre de lenço ao pescoço e engomado dos pés à cabeça, finalizava a sua toillete com uma bengala. Chegou a ganhar inúmeros prémios nacionais e internacionais. Quem é que não conhecia o famoso Carlos Champs Elysées?

Carlos e Sérgio acabaram por se envolver e por viverem juntos. O facto de, em Portugal, não ser permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não os impediu de viverem um amor tórrido. Após cinco anos de vida em comum, aperceberam-se que, para serem totalmente felizes, apenas precisavam de um filho. Como é que isso seria possível?

Não sendo permitida a adopção de crianças por casais homossexuais, chegaram à conclusão que a única solução seria encontrarem um mulher que estivesse disposta a servir de barriga de aluguer, o que não iria ser nada fácil. Quem é que estaria disposto a passar por uma situação destas?

No entanto, há gente para tudo. Um dia, por acaso, no cabeleireiro, ouviram um boato no qual constava que uma rapariga, chamada Isabel, neta da D. Felismina, que trabalhava num talho lá para os lados da Graça, tinha dado o filho bebé a um casal impossibilitado de ter filhos. Dizia uma das clientes:
− Este país é só desgraça... Agora até já dão os filhos aos outros!
− Onde é que ouviu isso? – Dizia outra cliente.
− No outro dia, estava a conversar com a D. Odete quando ela me disse que a Isabel, a neta da D. Felismina, tinha tido um bebé mas, como era solteira e tinha engravidado sem querer, deu-o a um casal de estrangeiros.

Carlos, quando ouviu esta conversa, pensou que a oportunidade dele lhe tinha batido à porta. Conversou com Sérgio e resolveram ir à procura da rapariga.Foram então à Graça. Andaram às voltas para estacionar o carro e lá conseguiram arranjar lugar. Como não sabiam o nome do talho onde a rapariga trabalhava tiveram de procurar. Foram perguntando às pessoas se conheciam alguma Isabel que trabalhasse num talho, até que uma senhora lhes disse que ela trabalhava no Talho do Zé Manel que ficava no Beco da Graça.

Carlos e Sérgio, disfarçadamente, espreitaram para o talho à procura de Isabel. Viram que só lá estava uma rapariga, logo, só podia ser ela. Não puderam deixar de reparar na boa apresentação que o talho tinha, o sítio “transpirava” limpeza: as paredes, tão brancas que até brilhavam, serviam de expositor aos vários utensílios de corte (facas, cutelos), a vitrine do balcão de atendimento tinha toda a variedade de carnes e enchidos.

Acharam que seria melhor esperarem pela hora de encerramento, para falarem, calmamente, com a rapariga. O relógio de Sérgio marcava 20 horas em ponto quando, de repente, a viram sair. Discretamente, para não a assustarem, dirigiram-se a Isabel.

Carlos contou-lhe o que tinha ouvido sobre ela e propôs-lhe que engravidasse em troca de uma boa quantia de dinheiro. Isabel ficou bastante assustada pois não fazia ideia que se soubesse do que se tinha passado com ela. Como o mundo é pequeno. Apesar de já ter tido um filho e de aparentar ter mais idade, ela tinha apenas 17 anos.

Mal Carlos acabou de falar, os ternos olhos azuis da rapariga encheram-se de lágrimas. Isabel não podia esquecer que era o único sustento da casa. Nunca soubera quem foi seu pai, sua mãe ficara tetraplégica devido a uma paralisia cerebral e o dinheiro que ganhava no talho mal dava para pagar as contas. Embora tivesse ficado muito incomodada com a situação ficou de telefonar a Carlos para lhe dar uma resposta.

Passado algum tempo, quando Carlos menos esperava, toca-lhe o telemóvel. Era Isabel para dizer que aceitava a sua proposta. Carlos convidou-a para morar em sua casa. Deste modo, poderia ter mais conforto e uma gravidez mais descansada.

Embora fosse mais velho do que Sérgio, Carlos quis ser o doador de esperma.Ao fim de cinco meses de convivência, Sérgio e Isabel começaram a sentir uma certa cumplicidade. É de lembrar que, apesar de homossexual, Sérgio já tinha tido outras mulheres. Daí até se envolverem amorosamente foi um passo. Pois é, os dois apaixonaram-se.

Resolveram esperar que o bebé nascesse para contarem tudo a Carlos. E assim foi, este quando soube sofreu um tremendo choque. Por fim, teve de aceitar a situação. O que ele não esperava é que Sérgio e Isabel quisessem ficar com o bebé. Carlos jamais poderia tolerar que isso acontecesse, afinal de contas, ele era o pai da criança.

Sem outra solução, Sérgio e Isabel fugiram com o bebé, o pequeno Hugo, para o México. Lá, começaram, juntos, uma nova vida.

Carlos, de tão desgostoso que ficou com a situação, não aguentou e decidiu pôr termo à vida.



As Últimas Horas

Foi numa noite de Inverno que deu corpo aos seus planos. Durante a tarde tinha ido ao seu médico de família a quem contou o seu estado depressivo causado pela situação difícil que vivia.

O Doutor Pedro receitou-lhe então alguns anti-depressivos, quatro no total, e preocupou-se em explicar a Carlos a complexidade de cada um, alertando-o para o facto de serem fortes e de não poderem ser tomados todos em simultâneo.

Carlos deveria optar por aquele que via como mais adequado à situação. Assim, quando tivesse dificuldades em adormecer deveria toma o Dormon*, para casos de grande ansiedade o Lecton*, os outros dois deveriam ser tomados regularmente duas vezes ao dia de forma a ajudar a combater o estado depressivo que vivia.

Quando saiu do consultório Carlos dirigiu-se de imediato à Farmácia mais próxima de sua casa, ficava na rua transversal à sua, e comprou de uma só vez as quatro embalagens.

A Dona Júlia da Farmácia, que era cliente habitual do salão de cabeleireiro de Carlos, ficou intrigada com aquela receita médica e resolveu perguntar:
- Carlos está tudo bem consigo? O Doutor Pedro receita-lhe aqui um conjunto de medicamentos bastante forte…
- Não se preocupe – respondeu Carlos no seu tom cordial de sempre - sabe que ando desanimado com tudo o que tem acontecido por isso pedi ao Doutor que me receitasse algo parta me acalmar.
- Tudo bem então, mas tome cuidado, sabe que na sua idade qualquer abuso pode ser mais problemático. Ainda por cima morando sozinho. Não hesite em ligar para cá se precisar de alguma coisa.

Carlos sorriu enternecido com a preocupação da Dona Júlia. Desde que se tornara sua cliente, há cerca de 15 anos, tinham criado alguns laços de amizade. Sendo ela dona da Farmácia do bairro, acompanhou o relacionamento de Carlos e Sérgio e estava a par da situação que Carlos vivia actualmente com a fuga do casal levando o pequeno Hugo para o México.

Ao chegar a casa, já ao fim da tarde, Carlos ligou o aquecedor, sentou-se no sofá com a manta verde sobre as pernas e ligou a televisão. Na sua cabeça andavam mil e um pensamentos. Será que deveria fazer mesmo aquilo? Afinal que sentido tinha a sua vida agora? Tinha perdido o seu filho, não sabia sequer para onde tinham ido com ele. Na sua idade já pouco podia fazer, o cabeleireiro estava bem entregue e o testamento estava feito deixando tudo a Hugo quando este tivesse idade para assumir os negócios.

Pegou no saco da Farmácia e começou a ler os folhetos informativos de cada medicamento que tinha comprado. O Doutor Pedro tinha sido bastante cuidadoso na sua explicação e a Dona Júlia também se tinha mostrado preocupada. Deveriam ser, de facto, medicamentos com os quais deveria ter cuidado e atenção redobrada.

O seu estômago começava a reclamar alguma comida, desde o almoço que não petiscava nada. Talvez até fosse melhor, talvez isso acelerasse o processo e o tornasse menos doloroso.

Levantou-se e foi até à casa de banho, a mão direita apoiava-se na sua bengala e na mão esquerda agarrava com força o saco da Farmácia e uma moldura de encontro ao peito.

Olhou-se ao espelho e reviveu quase por completo a sua vida. Lembrou-se da sua juventude, dos prémios que ganhou enquanto cabeleireiro e das pessoas que conheceu nessa profissão. O orgulho que sentiu quando abriu o seu próprio salão no Bairro Alto e a festa de inauguração com tanta gente conhecida. Recordou Sérgio e o seu jeito intempestivo, os anos de amor que viveram juntos quando pensava ter encontrado finalmente a felicidade. A chegada de Isabel, a gravidez, o filho Hugo que apenas conhecia em bebé e a vontade que tinha de o poder ver crescer. A dor que sentiu no dia em que Sérgio e Isabel o confrontaram com a verdade e lhe tiraram o chão quando fugiram sem deixar sequer um endereço.

Com mais de 70 anos Carlos não via razões para continuar a viver. Não tinha alegrias, todas lhe tinham sido roubadas. Nem o salão o conseguia animar, havia já nove dias que não aparecia, todos os dias o gerente lhe telefonava a perguntar se estava tudo bem e ele apenas dizia que não tinha cabeça para trabalhar.

Agora via-se ali, em frente ao espelho, sentia o peso da idade, a dor no coração pelo abandono de Sérgio, o sofrimento pela ausência do pequeno Hugo. Estava decidido, ia ingerir o máximo de comprimidos e esperar a morte. Com ela esperava que viesse a paz e a tranquilidade que não conseguia ter actualmente.

Todos os seus gestos se tornaram lentos, quase parecia querer desistir da sua ideia. Dirigiu-se à cozinha para buscar uma garrafa de água de litro e meio, regressou à casa de banho e sentou-se na sanita. Olhou para o saco dos medicamentos e olhou uma última vez para o espelho. «Já não tens nada a fazer. Perdeste tudo o que mais amavas. O melhor é mesmo partir.» disse a si mesmo.

Abriu uma por uma as embalagens de medicamentos. Ingeriu um a um os comprimidos de todas elas com uma melancolia assustadora e demasiado masoquista para o homem que tinha sido. Não se reconhecia naqueles gestos mas, no entanto, nunca pensou em desistir. Aos poucos ia dando uns goles na água para ajudar a ingestão dos comprimidos.

Lentamente foi sentindo uma dor aguda no peito. A intoxicação por anti-depressivos é das mais eficazes causando uma paragem cardíaca de difícil recuperação. Teve ânsias de vómitos, mas não chegou a ter consciência do que aconteceu porque perdeu os sentidos. Caiu no chão da sua casa de banho e ali ficou, inanimado, o coração começou a parar bem devagar até que deu o último batimento.

Carlos sabia, ao tomar esta decisão, que demoraria algum tempo até o encontrarem, quem sabe até dias. Não tinha familiares, Sérgio e Isabel tinham fugido e os únicos amigos trabalhavam no seu salão. Talvez quando não atendesse o telefone suspeitassem de algo.

E assim foi, no dia seguinte pela manhã o gerente do salão ligou para a casa de Carlos, ninguém atendeu. Ligou para o telemóvel, ninguém atendeu. Esperou uma hora e voltou a ligar para casa, ninguém atendeu. Ligou para o telemóvel, ninguém atendeu. Após algumas insistências achou melhor ir ver o que se passava.

Dirigiu-se a casa de Carlos que ficava bem perto do salão, ele sempre tinha adorado o seu Bairro Alto. Tocou insistentemente à campainha, mas ninguém lhe abriu a porta. Decidiu perguntar pela vizinhança se sabiam de alguma coisa mas ninguém via Carlos desde o dia anterior. Chamou então os bombeiros com receio que algo tivesse acontecido. Afinal Carlos já era um homem de idade e morando sozinho podia acontecer algo sem que ninguém desse conta.

Quando os bombeiros arrombaram a porta o cheiro a morte já estava no ar. Foram encontrar Carlos deitado no chão frio da sua casa de banho, morto, com a mão esquerda fechada com força agarrando uma moldura. Quando conseguiram soltar a mão e ver a moldura todos perceberam o sofrimento daquele homem. Era uma fotografia de Carlos e Sérgio sorrindo ao lado do berço do pequeno Hugo.


* O nome dos medicamentos foi inventado por mim pois não queria fazer referência a medicamentos reais.

segunda-feira, março 07, 2005

Leão

Extravagante, Digno, Dominador,
Apaixonado, Criativo, Estimulante, Líder

Sempre pronto a conduzir com mestria e dignidade o que lhe coube como tarefa, sejam pessoas, filhos, seres viventes, objectos animados e inanimados. Radiante e enérgico, o Leão dá tanta luz à vida dos outros que acaba por se esquecer das suas próprias necessidades, especialmente quando se trata da saúde.
O Leão trabalha até não poder mais por isso, umas férias regulares longe de tudo e de todos, são o suficiente para recarregar baterias.
O Leão é brilhante e activo, adora ser olhado e admirado.

ASPECTO FÍSICO -
Um dos seus adereços naturais é o cabelo que, quando é espesso e abundante, é muito semelhante à juba de um leão. É talvez o seu traço mais impressionante. O rosto de um Leão não é menos impressionante, com um sorriso arrasador, capaz de derreter o coração mais gelado. É frequente os Leões terem um riso inconfundível, que se assemelha a um saudável rugido. Os olhos têm, geralmente, um ar radioso mas podem encher-se de raiva animal quando provocados. O Leão tem poucas reservas em exibir os seus atributos físicos e lida bem com o seu corpo.

AMIZADE -
Infalíveis na sua lealdade depois de estabelecer uma amizade, os nativos de Leão escolhem com cuidado aqueles que poderão fazer parte do seu círculo de amigos. Apresentam um magnetismo natural que atrai as pessoas. O desejo de diversão e a capacidade de transformar as actividades aparentemente mais simples em algo especial fazem dos Leões amigos adoráveis. Embora sejam ternos e generosos não facilitam a formação de novas amizades.

AMOR -
O Leão não olha a esforços enquanto tenta conquistar um novo amor. É expressivo e leal e tem sempre em mente a paixão. É apaixonado e expressivo e mima como ninguém o seu amado. A felicidade não conhece limites quando o Leão está apaixonado. O seu grande coração e os seus fortes sentimentos revelam-se totalmente quando se apaixona.

PRINCIPAL CARACTERÍSTICA -
Generosidade, tem um grande coração.

PERSONALIDADE -
Liderança, oriunda de sua impressionante personalidade, coragem e ambição garantem ao nativo de Leão muito sucesso, pois está mais atento aos seus méritos do que aos seus limites. É transparente nos seus pensamentos sendo avesso aos subterfúgios.

AMBIENTE -
O mais indicado é o ambiente ensolarado, seja no mar ou no alto das montanhas.

ACTIVIDADES -
É companheiro no trabalho porém, prefere comandar do que obedecer. Possui o dom da oratória além de poder ser médico, atleta, artista ou militar, entre outras profissões.

(compilação feita a partir de diversos sites sobre signos)

domingo, março 06, 2005

Faltam 6 dias

Faltam apenas seis dias para ir de viagem. A famosa viagem de finalistas.
Tenho pena que certas pessoas de quem gosto não vão comigo mas, no entanto, sei que vai ser muito divertido. Aqueles que vamos formamos um grupo cinco estrelas e tenho a certeza que nos vamos divertir muito. Praias, passeios, descanso, festas, animação, música, sol, água. Todos os ingredientes estão reunidos para ser uma viagem inesquecível.
E a minha Chica Brava vai de certeza acompanhar-me sempre e tornar esta viagem ainda melhor! Vamos aproveitar em grande amiga!
Só me apetece cantar...

Poeiraaaaaaaaaaa
Poeiraaaaaaaaaaa
Poeiraaaaaaa
Levantou poeira

sábado, março 05, 2005

Caminhada

Às vezes dou passos e mais passos sem saber muito bem o rumo que levo. Muitas vezes sinto-me perdida sem saber para onde vou ou o que faço. Às vezes parece mesmo que ando no vazio sem direcção aparente.
No entanto, e como tudo na vida, sempre se encontra um rumo, uma meta, um objectivo que nos estabelece um percurso e nos ajuda a definir caminhos. Afinal todos caminhamos para algo, seja o que for, todos temos objectivos.
Mais simples ou mais complexos não importa, o que interessa realmente é que sejamos capazes de caminhar até ele, atravessando obstáculos, momentos menos bons, adversidades várias. Só assim o nosso objectivo ganha ainda mais valor.
Nada como por um pé à frente do outro e seguir a caminhada da vida.

sexta-feira, março 04, 2005

Compras

Hoje, depois da compra das fitas e da pasta, resolvemos ir ver da roupa. É assim, quem decide não comprar o traje académico tem de escolher algo parecido. Andámos mais de cinco horas no centro comercial mas conseguimos, já só falta mesmo o calçado, mas esse fica para outra altura porque já estávamos muito cansadas.
Menina Peter Pan e menina Cota: conseguimos!
Agora vamos acabar o dia com um belo jantar caseiro e muita conversa!


quinta-feira, março 03, 2005

Amizade

Ao longo destes quatro anos temos tido bons momentos.
Escolhi alguns dos mais recentes.
Estas imagens são para vocês,
são para nós,
são para recordarmos sempre
e para repetirmos muito!



Maio 2004, Lisboa Posted by Hello


Outubro 2004, Vila Franca de Xira Posted by Hello


Novembro 2004, Nazaré Posted by Hello


Dezembro 2004, Lisboa Posted by Hello


Janeiro 2005, São Pedro do Sul Posted by Hello


Fevereiro 2005, Lisboa Posted by Hello

quarta-feira, março 02, 2005

Somos pelos cães

Esta nova campanha da Pedigree agrada-me muito. O anúncio de televisão tem imagens lindas e neste anúncio de imprensa, cada frase deste texto é uma grande verdade. Quem ainda não viu leia que está mesmo excelente.
Como não dá para ler o texto através da imagem transcrevo aqui:


TU

Tu és um saco de pulgas.
Tu nunca tiveste um minuto de trabalho.
Tu lambes a cara de desconhecidos
com a única intenção de me envergonhar.

Por vezes, tresandas como uma manta
velha, mal cheirosa e húmida.

Não és apenas daltónico,
tu nem sequer sabes distinguir
uma carpete de um sofá.

Tu finges que achas a palavra
"não" incompreensível.
Tu insistes em partilhar o teu desafinado
latido com a vizinhança inteira.

Por alguma razão, tens medo de estátuas.
As estátuas põem-te louco.

Tu não tens vergonha nenhuma.

Tu és a coisa mais preguiçosa, suja,
teimosa e presunçosa que conheci
em toda a minha vida.

Mas eu acho que és perfeito.



Anúncio de Imprensa Posted by Hello

terça-feira, março 01, 2005

Corpo Livre

Quando estou assim: sozinha em casa e a ouvir determinado tipo de música que eu adoro, fico mesmo melancólica.
Salto da cadeira,
descalço-me,
tiro os óculos,
solto o cabelo se estiver preso,
ponho o volume praticamente no máximo e começo...

Começo uma dança sem fim, choro, solto-me, entrego-me ao som. Deixo-me ir no ritmo de piruetas, equilíbrios, quedas, movimentos. A verdade é que passado poucos segundos estou feliz, não sinto nada além de uma felicidade tremenda que me enche por completo. Páro de pensar, a minha cabeça voa muito além das paredes do meu quarto e com ela o meu corpo, livre, ao som da música.

Não há nada melhor que me sentir assim.


Argentona, Barcelona (Espanha), 1996 Posted by Hello

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

«Brigada 49»

Sempre admirei o trabalho dos bombeiros, a coragem que têm para entrar nos edifícios quando toda a gente só pensa em sair e fugir de lá. Esta é uma frase que se repete neste filme. Um filme que nos ajuda a compreender como é difícil para um bombeiro seguir a sua missão de salvar vidas e conciliar isso com a vida pessoal.
Pensar em criar uma família e, simultaneamente, arriscar a vida em cada incêndio é uma tarefa árdua que estes homens cumprem com muita coragem e louvor. Este filme demonstra-nos isso mesmo. O lado da família que sofre a cada saída mas que compreende a sua missão e a sua dedicação, e o lado do bombeiro que luta por aquilo em que acredita mas que tem em casa pessoas que o esperam a cada dia.
Além disso existe ainda o espírito de companheirismo entre todos, que além de bons amigos são também uma família que luta pela vida de cada um, fazendo lembrar a velha máxima «Um por todos e todos por um.».
Dou os meus parabéns ao realizador porque o filme está muito bom na minha opinião, gostei bastante. E dou os meus parabéns a todos os bombeiros deste país e de todo o mundo por continuarem a enfrentar as chamas e a lutar pela vida dos outros.

«People are always asking me:
Why did fire fighters run into a burning building
when everybody else is running out?
Courage is the answer.»



Vento que tanto sopras

Realmente não percebo este tempo. Hoje saí eu de casa, cheia de boas intenções, para chegar a Cacilhas e quase voar, mas literalmente. Já quando ia no carro reparei que o tempo hoje não estava do melhor mas confesso, quando saí do carro, se não andei uns quantos milésimos de segundo no ar estive lá perto.
Era cartazes pelo ar, placas a cair, semáforos a abanar. Isto já para não falar do frio, que parece que corta, atravessa a roupa e queima o corpo. Mesmo bem protegida senti o frio na pele.
Sem dúvida o melhor era ter ficado mais tempo na cama, no quentinho. Sim, porque acabei por voltar para trás e não fiz nada, foi mesmo só um passeio para apanhar frio e voar com o vento!

Posted by Hello

domingo, fevereiro 27, 2005

Eu sei lá

Às vezes nem sei como estou: triste, contente, ausente, sorridente, melancólica, animada, bem-disposta, corpo presente, mente ausente. São tantos os estados de espírito que se podem ter mas neste momento nem sei como estou, simplesmente estou aqui.
Amanhã é o regresso à rotina das aulas, pode ser que me ajude a definir o meu estado, pelo menos vai manter-me ocupada e distraída. Nos últimos tempos ando meio desanimada, não por vontade porque por vontade sorria a cada minuto e fazia rir os outros.
É uma fase. Eu sei lá...

sábado, fevereiro 26, 2005

Eu Sei

Se eu voar sem saber onde vou
Se eu andar sem conhecer quem sou
Se eu falar e a voz soar com a manhã
Eu sei

Se eu beber dessa luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Só Deus sabe o que virá
Só Deus sabe o que será
Não há outro que conheça tudo o que acontece em mim

Se a tristeza é mais profunda que a dor
Se este dia já não tem sabor
E no pensar que tudo isto já pensei
Eu sei

Se eu beber dessa luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Só Deus sabe o que virá
Só Deus sabe o que será
Não há outro que conheça tudo o que acontece em mim

Se eu beber dessa luz que apaga a noite em mim
E se um dia eu disser que já não quero estar aqui
Na incerteza de saber o que fazer o que querer
Mesmo sem nunca pensar que um dia eu vá expressar
Não há outro que conheça tudo o que acontece em mim

(by Sara Tavares)

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Fazes-me falta

O teu sorriso discreto
O teu olhar envolvente
As tuas palavras carinhosas
As tuas mãos seguras
Os teus lábios perfeitos
A tua voz tranquila
O teu abraço forte
O teu beijo doce
A tua presença junto de mim

Fazes-me falta.

«Filha da Fortuna»

Acabei de ler este livro de Isabel Allende (primeiro que leio desta autora) e posso dizer que gostei bastante.
Mais do que um romance, este livro é o retrato de uma época - meados do século XIX - e relata vivências, costumes, aventuras, a loucura do ouro, os preconceitos raciais, as diferenças entre classes. Uma infinidade de temas muito bem descritos e que nos transportam para a realidade da altura. Valparaíso no Chile, Sacramento e São Francisco na América são alguns dos locais que percorremos juntamente com as personagens.
A história da jovem Eliza e a sua forte relação com Tao Chi'en são os ingredientes base para um bom livro.